sábado, 9 de dezembro de 2017

O MEU CHEFE É O ZORRO


A aparição de Paulo "Zorro" Fonseca na conferência de imprensa após o jogo que opôs o seus Shakthar ao Manchester City continua a dar que falar, desde alguns comentários mais leves para quem o facto foi apenas um fait divers de relativa ou nenhuma importância, simples curiosidade ou àqueles para quem a "loucura" do técnico português foi uma estupidez de todo o tamanho, como opinam os comentadores desportivos e ex-craques dos relvados Lineker e Ferdinand. Dizem eles que se fossem jogadores do Shakthar já não respeitariam o treinador. Respeito? Vergonha? De quê? Se calhar falam da equipa inglesa líder da Premier League, do técnico que ainda não tinha perdido um jogo esta época, dos adeptos ingleses sempre tão convencidos e já habituados a saírem cabisbaixos de alguns importantes duelos com os treinadorzinhos cá do burgo. Nós somos mesmo assim, são conhecidas as conferências dos nossos misters lá fora, desde o mestre dos mind games, José Mourinho, ao estilo mais rudimentar de Toni ou agressivo de Vitor Pereira. Paulo Fonseca não envergonhou o seu clube, os seus adeptos, não se envergonhou a ele mesmo ao mostrar que o futebol pode ser mais que um negócio de milhões e que pode ter lufadas de ar fresco, ao invés de estarmos sempre a discutir sobre arbitragens, grandes penalidades marcadas ou por marcar, ou dirigentes que passam a semana a incitar à violência. Por mim prefiro o Zorro, um protagonista não pela forma como apareceu vestido - podia até aparecer nu -, mas pela sua competência profissional, essa sim, digna de ser realçada. E nestes casos, quem se importaria se um dia o seu chefe surgisse assim no seu local de trabalho, aos nossos olhos como um herói - nem que fosse apenas por um dia, alguém que mascarado ou não mostrasse que era um de nós, capaz de confiar em nós, de nos valorizar quando é de valorizar, de estar ao nosso lado nos bons e maus momentos. Já quanto às chefes -dependendo das chefes - Lara Croft é sempre uma boa opção.

P.S. Aos outros, os do topo, raramente visíveis ao olhar humano, àqueles para quem o nosso nome é uma incógnita, um pormenor sem a mínima importância, aos capitães Ramon dos nossos dias, já não aconselhava tais disfarces carnavalescos, mas sugeria algo mais apropriado à época, algo quentinho para barrigas anafadas, vermelho sem ser Benfica, umas barbas brancas, um saco cheio de boas e verdadeiras vontades e um Ho Ho Ho tão diferente do silencioso olhar para o lado ou para baixo de cada vez que passam por nós, como se fossemos indigentes com lepra, indignos de um olhar, de um simples e inocente Bom Dia, nem que não seja sentido. Pois, por esses não sinto respeito, apenas vergonha. Com ou sem máscaras.
#oladobdavida2 #omeuchefeéozorro

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

GAJAS HÁ MUITAS

Não sou eu que o digo, mas não pude deixar de ouvir numa conversa entre dois rapazes aparentemente com uma experiência de vida tão grande que só lhes falta mesmo ver o Sporting ser campeão. Dizia um para o outro:
-Ele anda agora com uma gaja nova, cheia de piercings.
-Eu vi umas fotos no facebook. - dizia, o outro, enquanto eu tentava localizar num mapa imaginário a geografia e a quantidade dos adornos da jovem em causa, já que mais do que o nome eram esses mesmos objectos de metal que para os dois rapazes a caracterizavam e a faziam diferente das outras.
-Essa. Ela está em Inglaterra e não é que agora o gajo quer ir pra lá? Mas tu já viste? Então ele tem cá casa e emprego, o que vai ele fazer para Inglaterra? O que é que ele quer mais? Gajas é o que não faltam para aí! - salientou o mais indignado, antes de juntarem os punhos à laia de despedida, como se fosse uma saudação tribal e eu fiquei a pensar naquela conversa sobre ir ou não para Inglaterra, independentemente de quaisquer pieguices por deixar o país ou pelo brexit em relação à união europeia. Curiosa juventude esta - como diria o meu avô Domingos, a quem faltou o tempo de aprender o que era a vida, já que esta se encarregou de lhe dar um curso intensivo ainda nem tinha largado os calções e os joelhos apresentavam frescas marcas do irregular piso da sua rua, que na altura era onde se brincava, antes da internet e das playstation. "Uma casa e um emprego, o que ele podia querer mais"? "Ir para Inglaterra"? Das duas uma. Ou aquele jovem nunca gostou verdadeiramente de alguém ou os seus ideais resumem-se tão só a isso, uma casa e um emprego, que trabalho é palavra que não agrada. Ou isso ou ele nunca andou com uma gaja com piercings.
#oladobdavida2 #gajascompiercings #naosejaspiegas

terça-feira, 28 de novembro de 2017

A VOZ DAS PALAVRAS - O PECADO DA BELA ADORMECIDA

E quando julgamos que nada mais nos pode surpreender, eis que num milésimo de segundo algumas pessoas se encarregam de virar a vida do avesso e provar que nada pode ser tomado por garantido e que para tudo - mas mesmo tudo - o que pensamos ser objectivo e simples, cristalino como água pode tornar-se turvo e complexo aos olhos e aos pontos de vista de diferentes pessoas. Quão longe estamos da idade da pura inocência como é cantada pelos Pólo Norte ou do País das Maravilhas de Lewis Carroll com o qual Sócrates se identificava? Este mês, Sarah Hall, até aí uma anónima mãe inglesa resolveu pedir que o livro "A Bela Adormecida" fosse banido do currículo escolar por transmitir uma mensagem sexual inapropriada para crianças tão novas. Em causa a cena em que o príncipe encontra a jovem princesa num sono profundo e a beija, despertando-a do feitiço da bruxa má, e tudo porque é um mau exemplo para os jovens que um desconhecido se abeire de uma mulher e sem o consentimento dela lhe dê um beijo. WTF?! Quando foi que começámos a desconfiar de tudo e de todos, a ver o mal em todo o lado? É preciso separar as águas, reaprender a discernir o certo do errado antes que seja tarde demais. Deixem-se de falsos moralismos tão ao jeito das velhas beatas, desta caça às bruxas e de todos que nos querem impingir que o sexo é o maior dos pecados e para quem qualquer gesto ou comentário mais ou menos inocente - não indecente - é visto como assédio. Kevin Spacey, cuja carreira, tida como sólida, ameaça ruir como um frágil castelo de cartas, acusado e queimado na fogueira de uma volátil opinião pública como uma nova Joana D'Arc não é um tarado, não é um monstro do qual devemos manter as crianças afastadas. Errou? Que atire a primeira pedra quem nunca pecou. Porque deixaria de ver os seus filmes? É a mesma coisa de deixar de ouvir o George Michael ou o Freddie Mercury por gostarem de homens ou ignorar a marca de Carlos Cruz na televisão em Portugal. Afinal quem tem medo do Lobo Mau? Quantos filmes, obras de arte do cinema teriam ficado na gaveta se cada caso de assédio fosse o fim da carreira de um actor, realizador, produtor? Quantas jovens aspirantes a estrelas teriam permanecido no segredo dos deuses se não tivessem cedido a essas promessas com segundas intenções, mais que assédio tácitos contratos, que só agora, no auge da fama ou no final de fulgurantes carreiras se vêem expostos, como justiceiras de uma moralidade irrepreensível e intocável, sedentas pelo sangue de quem as lançou? Não me entendam mal que não é minha intenção defender quem usa ou se aproveita desses estratagemas, mas que quando aceites não são mais que um negócio, um acordo em que duas partes concordam uma com a outra e todos ficam a ganhar. É assim desde o princípio dos tempos, não vamos enfiar a cabeça na areia e fingir que não sabiamos de nada. Do cinema à música, da moda às grandes e médias empresas, mesmo naquelas mais pequenas, na mercearia da esquina, em todo o lugar onde exista algo a ganhar. O malandro do Johnny Deep bateu na mulher, Dustin Hoffman assediou por um piropo, que agora também é crime, os sacanas dos pais natais são todos pedófilos e por isso nunca mais vamos sentar os nossos filhos nos seus colos. Censure-se a Branca de Neve que porventura poderá até ter sido um dia branca e pura, antes de se tornar adúltera e partilhar o lar com sete estranhos e ainda andar aos beijos com o príncipe. Mas que mundo é este em que vivemos? Será que o Peter Pan é que tinha razão em não querer deixar de ser criança, se ser adulto é isto? Cara Sarah Hall, deixe-me dizer-lhe que a única incongruência no beijo à Bela Adormecida aos olhos dos nossos tempos não é o abuso de quem lhe deu um beijo sem pedir consentimento, mas da inocência de quem vendo uma linda mulher adormecida não lhe roubou mais do que apenas um beijo. Se calhar nem todos os homens são perversos, nem toda a carne é fraca e se lhes dermos uma oportunidade até há por aí alguns sapos que são príncipes.  A vida não é pura e sempre bonita e inocente como um conto de fadas nem tão feia como quer fazer crer. Homens e mulheres são imperfeitos desde o início dos tempos, gostam de amar sem tabus, sem pudor, gostam essencialmente do que não têm e por vezes não olham a meios para o conseguir; gostamos do risco, da adrenalina desde que Hefesto e Atena criaram Pandora. O mundo real, o mundo dos Homens é imperfeito e dificilmente deixará algum dia de o ser. Será que o desejamos? Somos todos pecadores, uns mais inocentes do que outros, mas não é por um piropo, por um beijo roubado que o mundo vai acabar. O verdadeiro pecado é passar pela vida sem lhe tomar o gosto, querer sobreviver-lhe no falso conforto de uma concha impenetrável, querer ser sempre justo e puro, desperdiçando o tempo a olhar para o lado e a criticar, apesar de todos os nossos telhados de vidro, vivendo tolhidos pelo medo, numa vida fingida com medo de nos magoarmos, de ousarmos ser mais que uma peça na engrenagem, com medo de errarmos, de sermos tão somente aquilo que queremos... felizes.
#oladobdavida2



segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A VOZ DAS PALAVRAS - É PRECISO TER CORAGEM PARA SER FELIZ!

Hoje dei por mim a pensar nas semelhanças entre um blogue e a vida de cada um de nós. Não porque considere um blogue algo de importante, longe disso, mas não daremos por vezes mais importância à vida do que aquilo que ela merece? Eu sei que há gente que passa por inúmeras dificuldades e que até pode ver no que eu digo qualquer espécie de heresia, mas sinto que por vezes, a maior parte de nós, passa pela vida como um corredor de fundo numa pista de obstáculos. Será que a vida é mesmo assim tão complicada, tão cheia de "ses" e de "talvez" ou seremos nós que a complicamos? Nos últimos dias verifiquei que nem sempre é fácil fazermos ou dizermos aquilo que queremos, com medo das consequências. Podia ter pensado simplesmente: "que se lixem!", e pronto. Mas não. Para lá da minha janela, as pessoas correm mesmo sem terem para onde ir, gritam, perdem a paciência com futilidades, blasfemam da vida, do trabalho, dos governantes e até dos clubes rivais, como se o futebol, religião ou política fossem motivo para nos zangarmos e fazermos zangar os outros. Porque temos de andar sempre à procura de preocupações em vez de soluções? Poucas coisas na vida valem o preço de um sorriso de uma criança, do brilho no olhar daquele ou daquela que nos ama. Quase nada na vida se compara a um abraço apertado - e tão pouco nos abraçamos hoje em dia. É o barco que já saiu, o preço do pão que aumentou e o Benfica a ganhar novamente quase a acabar o jogo... paciência. É tão mais fácil falarmos mal dos outros, mandar alguém à merda, "vai-te f...", do que dizer "Amo-te". Ninguém é feliz ou está completo se não tiver o amor de alguém. Teremos vergonha de amar? Será que temos tanta tendência para nos escondermos e protegermos da vida, que perdemos o fascínio do risco? Regresso às palavras de Álvaro Pacheco, quando diz: "ah, é preciso ter coragem para ser feliz". Será que em algum tempo da nossa infância nos perdemos desse dom tão especial que é a capacidade de sermos felizes e de fazermos os outros felizes? Será que é a vida assim tão complicada ou fomos nós, que para não nos machucarmos, a complicámos? É por isso que nunca devemos criticar os outros por serem diferentes de nós, por errarem ou fazerem figuras tristes, na procura da felicidade. Quem nunca levou um "não" não sabe o gosto da vitória, mesmo que tenhamos de perder para alcançá-la. Um dia o filho procurará o aconchego do pai para lhe dizer "és o melhor pai do mundo e eu gosto muito de ti", alguém vai agradecer-lhe ter perdido aquele autocarro para o ajudar, alguém vai abrir os braços e responder-lhe "sim, porque sem ti não consigo ser feliz". Eu acredito. Por isso este é o blogue de um homem que gosta de futebol, viagens, cinema, sexo, música e palavras, não necessariamente por esta ordem. É também o blogue de alguém que gosta essencialmente de escrever, embora ache que não tenha nada de especialmente relevante a dizer, mas a maior parte dos políticos também não tem e ninguém os consegue calar. Este é o blogue de alguém que acredita no futuro, porque de outra forma não valeria a pena acordar amanhã nem depois. Acredito que todos os sacrifícios serão um dia recompensados e com um bocado de coragem terei então direito ao meu quinhão de felicidade. Um dia, alguém irá abrir os seus braços... e eu vou querer estar lá.
#oladobdavida2

domingo, 26 de novembro de 2017

FALTA A ÁGUA E A VERGONHA

Que os políticos andavam desacreditados junto dos portugueses já eu sabia mas chegar-se ao ponto de oferecer cerca de 200 euros a cada uma das 50 pessoas para irem fazer perguntas ao actual Governo sobre os dois anos da sua governação é algo que não consigo conceber, quando de certeza haveria centenas que estariam dispostos a fazê-lo de graça, ou isso é uma forma de levar essas 50 pessoas a serem mais moderadas nas perguntas? A continuar assim, com este Governo que continua a fazer finca-pé em marcar oposição com o anterior, devolvendo subsídios e aumentando ordenados, numa política ostensivamente de mãos abertas a que só o São Pedro fecha as torneiras, não me admiro nada que nas próximas eleições nos paguem para votar como forma de combater a abstenção.
#oladobdavida2

UM SOPRO DE VIDA NUM AMOR CEGO, FRACO E BURRO

O amor é mesmo cego. Já todos ouvimos mas uma neurobióloga de Barcelona provou-o cientificamente há uns bons anos atrás. Segundo ela, quando o ser humano está apaixonado desactivam-se as zonas do cérebro que nos permitem discernir ou avaliar os outros. Isso leva-nos a que, quando enamorados atendemos a ver a vida em tons cor de rosa, como se o universo girasse em torno da pessoa amada e nada mais importasse ou existisse, desvalorizando mesmo as opiniões das outras pessoas. Afinal, dois é bom, três são demais, a menos que queiramos uma relação de contornos mais complexos, a três ou mais. Nessas alturas somos facilmente levados, como que por um campo armadilhado, a tomar mentiras por verdades, sendo que esta é sempre a que mais nos convém, independentemente de ser ou não verdadeira. Insensato ou não, destituído de qualquer lógica ou razão, um coração que se deixe conduzir por essa mais que aparente cegueira torna-se mais vulnerável, menos imune à dor, mesmo que de perigos de uma perda hipotética, vive um romance constante, alimenta-se de cenários e tudo o que receber saberá sempre a pouco. Não que isso nos interesse realmente, habituados que estamos a privilegiar o sonho à realidade e na hora da verdade não há euromilhões que nos dê tanto prazer como um grande amor, essa flecha de cupido que efectivamente nos cega mas que nos proporciona - indubitavelmente - os melhores momentos das nossas vidas, mesmo que efémeros, quando todos os nosso sonhos parecem possíveis de concretizar e acordar todas as manhãs, dia após dia, consegue enfim fazer algum sentido. Só quem já amou ou foi amado sabe realmente o que é viver e como reza o ditado: quem o feio ama bonito lhe parece.
#oladobdavida2 #amorcego

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

EFEMÉRIDES


Uma das maiores vozes de sempre, Rei, inimitável, Freddie Mercury faleceu em 1991, vítima de uma broncopneumonia aliada a sida. O antigo vocalista dos Queen ficará para sempre na galeria dos imortais, deixando um legado de temas inesquecíveis e memoráveis como Love Of My Life, We Are The Champions, Bohemian Rhapsody entre tantos outros.
#oladobdavida2